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Basta de ignorância: gerir a Sonangol não é candonga de quintal (Por: Flávio Torres)

Muitos pensam que a gestão estratégica de uma grande empresa funciona como a candonga de quintal, onde só se pede dinheiro emprestado quando o negócio está a falir, o que é uma grande mentira, porque ter lucro e pedir financiamento não é uma contradição: é pura visão de negócio.

​A nossa Sonangol, mesmo quando está a dar lucros, precisa de recorrer ao crédito bancário, mas isso é sinal de virtuosidade , porque serve para proteger o dinheiro em caixa, financiar investimentos de longo prazo como os projectos dos blocos em desenvolvimento, o TOBD as refinarias , pagar dívidas antigas e organizar o fluxo de caixa. O segredo não é fugir das dívidas, mas sim garantir que o empréstimo vai criar valor e render muito mais do que o custo dos juros.

​As maiores empresas do mundo, que facturam biliões de dólares e têm cofres cheios de dinheiro, fazem exatamente a mesma coisa. Elas vão aos mercados internacionais pedir financiamento para expandir os negócios, construir refinarias e comprar outras empresas.

​Jogam nesse campeonato grandes conglomerados como a ​Saudi Aramco (a maior do mundo), ​ExxonMobil, ​Shell, ​Chevron e ​Petrobras, para só citar alguns.

​Confundir alta finança com zunga ou esquema da candonga é falta de visão. No topo do mundo dos negócios, o crédito é uma ferramenta de crescimento, não um pedido de socorro.

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